Na praia do norte em manhã de vaga um tanto rija vi espectaculo raro; os banhistas não tomaram banho, e os banheiros resolveram ir brincar nas vagas; brincadeira um tanto forte.
Eram tritões mythologicos, peixes não, porque estes não caem em taes experiencias; por vezes sumiam-se no concavo da vaga proxima a desabar, logo appareciam, o corpo meio fóra da agua, na cabelleira cristallina, logo destacavam na branca espumarada fervente.
É arriscado, ha movimentos enrolantes na vaga d’arrebentação, e ai do que se deixar enrolar pela onda.
No termo da Ericeira, na encosta voltada ao mar, ha grande numero de pequenas propriedades, e muitos muros de pedra solta. Fazem esses muros para arrumar a pedra e tambem para defeza contra a rajada do mar, e não bastam; fazem ainda sebes de urzes, de ramos de pinho, de caniço; e nesses canteiros vi cepas boas, com bellos cachos.
A phylloxera estragou os vinhedos, mas nos ultimos annos teem replantado; nas chans da ribeira de Chileiros ha vinhas de importancia. Para os lados da Fonte dos Nabos, Santo Isidoro, Paço d’Ilhas vi culturas mimosas. Na Ericeira só as flexiveis hastes das araucarias resistem á furia do vendaval. Ás vezes quando no temporal as grandes vagas estouram nas arribas passam flocos de espuma por cima da povoação.
Nomes de barcos.—S. Joaquim, vulgo o Bailharito, Feliz Raul, Boa Viagem, Flor da Ericeira, Pombinho, etc.
Pombos-bravos.—São raros nesta costa; numa época vi dois casaes que pousavam nas altas rochas, sob a villa. Pouco adiante de S. Sebastião tenho-os visto tambem, poucos. São pardos-escuros, esguios, muito desconfiados; creio que é na costa algarvia, Sagres, S. Vicente, que apparecem mais; na costa da Arrabida são raros.