É possivel que as pinturas da sala dos Apostolos sejam, em parte, de Negreiros; outras serão de seus discipulos Bruno José do Valle, ou Simão Baptista; mas as decorações de outras salas, e especialmente os grandes trabalhos a estuque, devem ser da segunda metade, adiantada, do seculo XVIII, pois que a furia da decoração a estuque foi posterior ao terremoto de 1755.

O officio de Correio-Mór

Parece que antes de 1520 não havia em Portugal serviço de correio organisado regularmente.

Mandavam-se proprios, e dispunham-se postas quando assim era preciso. Nos caminhos de maior transito, em intervallos de 3 a 4 leguas, as estalagens tinham cavallos para muda, que alugavam.

Em 1520 el-rei D. Manuel criou o officio de correio-mór; foi Luiz Homem, ao que dizem, o primeiro a exercer o cargo.

Em tempo de D. João III appareceu a primeira lei ou regimento postal.

O segundo correio-mór chamava-se Luiz Affonso; seu genro Francisco Coelho, foi o terceiro.

O cargo conservou-se na familia até 1606 em que falleceu Manuel Gouvêa, o quarto no cargo.

Então Filippe II mandou vender o officio; que foi comprado por 70:000 cruzados, por Luiz Gomes da Matta, em 19 de julho de 1606.

O correio-mór tinha a seu serviço estafetes, mestres e creados de posta, e varios assistentes. O serviço do correio foi sempre augmentando, sem alteração fundamental do regime até 1852, embora este ramo pertencesse ao Estado desde 1797. Neste anno, em alvará de 16 de março, D. Rodrigo de Sousa Coutinho foi encarregado de tratar com o Correio-Mór a cedencia do officio.