Dandolo entrou na villa Corsini mas só tratou de seu irmão; julgava-o sómente ferido ou prisioneiro. No meio do fogo, gritou aos seus companheiros: «Veem meu irmão?» e, não se lembrando de si, aproximou-se dos feridos e mortos, interrogando uns, e examinando os outros.

A este tempo, recebeu uma bala na coxa e cahiu.

Os seus companheiros levaram-no. Conduzido á ambulancia, ahi foi curado; pediu immediatamente um pau para se suster e, coxeando, foi á procura do irmão. Entrou na casa onde estava Ferrari; ahi tambem estava o cadaver de Henrique Dandolo. Ferrari sentindo-se demasiadamente fraco para assistir ao espectaculo que se ia preparar, cobriu o morto com um panno.

Emilio entrou, interrogou, insistiu; todos responderam que Henrique Dandolo tinha sido ferido; que, provavelmente, estava prisioneiro; nenhum porém lhe quiz dizer que estava morto.

Finalmente, como era preciso que, cedo ou tarde, Emilio Dandolo soubesse a fatal nova, Manara, á força de pedidos, decidiu-se a dizer-lh'a. No momento em que o joven tenente passava por diante de uma das casinhas tomadas pelos francezes, Manara fez-lhe signal para entrar.

Todos que na camara estavam se retiraram.

—Não procures teu irmão por mais tempo, meu pobre amigo, lhe disse Manara tomando-lhe a mão; de hoje em diante serei eu teu irmão.

Emilio cahiu immediatamente no chão, fulminado mais ainda pela terrivel noticia que enfraquecido pela perda de sangue e pela dôr da ferida.

Duas jovens encontraram-se de repente com o pae, que conduziam morto; uma d'ellas cahiu desmaiada sobre o cadaver e levantou-se completamente doida.

Uma mãe, vendo morrer seu filho, não pôde derramar uma unica lagrima; sómente, tres dias depois, estava morta.