A sua carreira foi um triumpho perpetuo. Dos campos mais longiquos da Italia accorria a dura raça latina a averiguar e levar a feliz nova da resurreição da Italia, e de que o seu povo com a fronte molhada de suor e de sangue ia emfim ser livre.
Ugo Bassi estava em Ancona, onde prégava a quaresma. A primeira legião de voluntarios chegava ahi; Ugo arengou sobre a praça, e tomando argumento do desgraçado estado em que via suas armas e seus trajes, idealisou com a sua eloquente palavra a sua miseria, de que os nossos inimigos faziam escarneo.
Dois dias depois juntava-se á cruzada e partia com ella como segundo capellão dos voluntarios romanos.
Bassi como Gavazzi, seu amigo, era a providencia do exercito. Não só a sua eloquencia impellia os italianos ao amor da Italia e á dedicação por ella, mas ainda tirava dos mais rebeldes cofres numerosas e ricas offerendas. Em Bolonha fez milagres; os ricos davam dinheiro aos punhados, as mulheres suas joias, seus brincos e anneis.
Uma joven não tendo nada a dar cortou a sua linda trança e l'ha offereceu.
Elle havia assistido a todos os nossos combates e dedicações em Cornuda, Treviso e Veneza.
Irmã de caridade, apostolo, soldado intrepido, foi sobretudo no combate de Treviso, onde morreu o seu amigo e compatriota, o general Guidotti, que mostrou todas as virtudes de seu coração. Uma balla lhe mutilou a mão, o braço esquerdo, e lhe abriu uma longa ferida no peito. Ainda pallido e soffrente d'este cruel ferimento, viram-o no combate de Mestre, com um estandarte na mão, ser o primeiro a subir e sem armas, ao assalto do palacio Bianchini.
Bassi acompanhou a legião italiana em todas as peregrinações. A sua palavra potente fascinava as massas, e se Deus tivesse marcado um termo ás desgraças da Italia, a voz de Bassi como a de S. Bernardo, teria arrastrado as povoações aos campos de batalha. Se a Italia um dia se unificar, que Deus lhe dê a palavra de um Ugo Bassi! Quando Roma cahiu, quando me não ficou senão o exilio, a fome e a miseria, Ugo Bassi, não hesitou um instante em acompanhar-me. Recebi-o na minha barca em Cesenatia, e partilhou comigo o ultimo sorriso de despedida!
N'esta barca, que eu proprio guiei, estavam Anita, Ugo Bassi, Ciceravecchio, e seus dois filhos. Todos morreram, e de que maneira! Oh! sagrados mortos, eu referirei o vosso martyrio!
O nome de Ugo Bassi será a palavra de ordem dos italianos no dia do seu libertamento.