Dandolo volveu a trazer a triste noticia aos seus amigos, e escreveu ao chefe do estado maior francez para pedir a permissão da exhumação.
Obteve-a na manhã de 2.
A triste ceremonia do transporte de Manara estava acabada quando Dandolo se aproximou de mim dizendo:
—Bertani, d'aqui a algumas horas o cadaver de Morosini estará na egreja dos Cem Padres, em Santa Vieto, onde poderás vêl-o.
Fui á egreja um pouco antes da noite. A casa ou antes o convento que confinava com a egreja, estava occupada pelos francezes, de sorte que a egreja estava fechada.
Pedi permissão de entrar a um capitão, que vendo a profunda tristesa espalhada em meu rosto, me perguntou affectuosamente se eu era soldado, qual a minha patria, e se havia perdido algum parente ou amigo.
Respondi-lhe que havia perdido muitos amigos, e entre outros Manara. Conhecia-o de nome, e pediu-me pormenores sobre sua morte, e tambem me deu alguns.
Um caçador de Vincennes, que estava perto d'elle no ataque de Spada, e que elle me mostrou no meio de um grupo de soldados ao pé da porta onde estavamos, lhe dissera no momento em que Manara se approximara da janella com o seu oculo:
—Olhae bem este official, está morto.
Ao mesmo tempo o soldado havia atirado: a balla chegara ao seu destino; e elle havia visto cair Manara.