Armou-se, como por encanto, um arco triumphal de folhagem; o theatro illuminou-se; houve jantar e baile em casa do governador, que, não obstante, era um altivo clerical.
Lembro-me de terem apresentado a Garibaldi um camponez que, sem saber lêr nem escrever, tinha dictado um poema completo sobre a vida pastoril.
Perto das nove horas, um visinho me disse em segredo que um rapaz de quinze annos gemia na prisão embrutecido pelas pancadas e maus tratos do pae, que, casando segunda vez, aos sessenta annos, com uma camponeza muito nova, tinha, por conselho d'ella, accusado o filho de lhe ter faltado ao respeito.
O governador recebeu vinte escudos e o rapaz foi lançado na prisão.
Fiz constar o facto e fallei d'elle ao general.
O pae foi chamado, e tambem o desgraçado rapaz. Houve então uma scena ao mesmo tempo comica e horrenda. O pae queria, é verdade, que soltassem o filho; mas reclamava com toda a sinceridade o dinheiro que tinha dado para o prenderem. O rapaz chorava amargamente e abraçava Garibaldi; em quanto ao governador, não sabia que postura havia de tomar. Por fim, fez um discurso ao povo da janella, e o rapaz foi levado em triumpho por todos os galopins da villa.
No dia seguinte, as cinco horas da manhã, um destacamento da guarda nacional partiu comnosco por baixo de uma chuva miuda mas penetrante.
Acompanhou-nos até Rieti e escoltou um empregado das finanças que tinham prendido no sitio onde almoçamos, porque era um espião pago pelo general bourbonez Landi, commandante da columna movel na fronteira dos estados romanos.
A legião italiana aquartelada em Rieti compunha-se de tres batalhões (quinhentos homens) aos quaes se tinham juntado noventa lanceiros equipados e montados á custa do seu commandante, o conde Angelo Masina de Bolonha.
Foi com elles que o conde marchou a soccorrer Roma.