Em que venhão mais, e mais
Dos bestiaes,
Pelo que mostra a figura,
Haverão a sepultura
Da amargura,
Como brutos animaes.
Que se o texto bem olhais,
E declarais
Com fundas serão feridos,
Todos mortos, confundidos
Nos abysmos infernaes.

XCII.

As chagas do Redemptor,
E Salvador
São as armas de nosso Rei:
Porque guarda bem a Lei,
E assim a grei
Do mui alto Creador.
Nenhum Rei, e Imperador,
Nem grão Senhor
Nunca teve tal signal,
Como este por leal,
E das gentes guardador.

XCIII.

As armas, e o pendão,
E o guião
Forão dadas por victoria
Da quelle alto Rei da Gloria
Por memoria
A um Santo Rei barão.
Succedeu a El Rei João,
Em possessão
O Calvario por bandeira,
Leva lo ha por cimeira,
Alimpará a carreira
De toda a terra do Cão.

* * * * *

SONHO SEGUNDO.

XCIV.

Oh! quem tivera poder
Pera dizer,
Os sonhos que o homem sonha!
Mas hei medo, que me ponha
Grão vergonha
De mos naõ quererem crer.
Vi um grão Leão correr
Sem se deter
Levar sua viagem,
Tomar o porco selvagem
Na passagem,
Sem nada lho defender.

XCV.