OBRAS POETICAS
DE
GREGORIO DE MATTOS

OBRAS POETICAS
DE
GREGORIO DE MATTOS GUERRA

PRECEDIDAS DA VIDA DO POETA
PELO LICENCEADO
MANUEL PEREIRA REBELLO

TOMO I

RIO DE JANEIRO
NA TYPOGRAPHIA NACIONAL
1882

Até que afinal vai correr mundo boa cópia das numerosas composições de Gregorio de Mattos, depois de terem decorrido quasi dois seculos da morte d’este nosso famoso satyrico.

Poucas producções do notavel genio brazileiro existiam até agora impressas e ao conego Januario da Cunha Barbosa cabe a gloria de ter sido o primeiro que nos deu em 1831, no seu Parnaso brasileiro, meia duzia de satyras de Gregorio de Mattos, precedidas de um resumo da sua vida. O sñr. commendador Joaquim Norberto de Sousa Silva inseriu depois, em 1843, alguns fragmentos de poesias no tomo 1 da Minerva Braziliense e em 1844, uma satyra e tres sonetos seus no Mosaico poetico. Em 1850, Varnhagen, depois visconde de Porto Seguro, imprimiu maior numero de composições de Mattos no tomo 1 do seu Florilegio da poesia brazileira; depois, em 1855, sahiram algumas poesias e sonetos escolhidos do satyrico nacional no Ensaio biographico critico dos melhores poetas portuguezes de José Maria da Costa e Silva. Francisco de Paula Brito tambem publicou uma producção de Mattos na sua Marmota de 11 de Março de 1855. Eis tudo o que até hoje existia impresso do nosso poeta.

I

Para a presente edição, além do que corria impresso, servi-me:

1) de duas collecções pertencentes á bibliotheca de S. M. o Imperador, as quaes pertenceram a Innocencio Francisco da Silva e foram adquiridas do seu espolio. A primeira, que mostra ser de lettra mais antiga, tem o titulo: