Cuido que vejo os meninos
De Gregorio de Moraes.
«Os meninos de Gregorio de Moraes, seus visinhos, traziam os olhos inflammados. Intempestiva e indecente allusão! E assim morreu.»
A este trecho accrescenta o sñr. C. Castello Branco:
«Escreve Innocencio Francisco da Silva que o poeta morrêra com «grandes mostras de contricção e arrependimento, si é verdade o que affirmam os seus biographos.» Não nos edifica o arrependimento de Gregorio de Mattos, si fechou a vida com a copla celebrada pelo bispo do Pará. A meu ver, a impia memoria do mordente brazileiro explica o silencio do abbade de Sever, justamente arguido pelo citado bibliophilo.»
Mas é d’este outro modo accusada pelo biographo Rebello a morte do nosso Mattos:
«Uma rigorosa febre lhe attenuou os dias, de sorte que, desenganados os piedosos pernambucanos de remir-lhe a vida, chamaram o vigário do Corpo Sancto, Francisco da Fonseca Rego, pessoa que suppunham de mais auctoridade, para que o dispuzesse a morrer como catholico. Mas como este parocho era na opinião do poeta mal recebido, sem poder disfarçar nesta hora o genio livre, soltou algumas palavras, que puzeram as chimeras do vulgo em suspeitas, de que nasceu um rumor menos decoroso á sua consciencia; o qual chegando aos ouvidos do illustrissimo prelado d. frei Francisco de Lima, logo desde uma legua de caminho se arrojou como bom pastor a tomar em seus hombros a ovelha que suppunha desgarrada, e não foi assim, porque não só o achou disposto a morrer como verdadeiro christão, mas em signal de que lhe servira o entendimento no maior conflicto, viu em uma folha de papel escripto com caracteres tremulos o grande soneto que offerecemos:
Pequei senhor; mas não, porque hei peccado,
Da vossa alia piedade me despido:
Antes quanto mais tenho delinquido,