Afastando-se então, por momentos, ella preparou uma refeição composta de leite, fructos varios, entrando n'este numero os da Muza, das Palmeiras, e outro que tomei pela fruta pão de que ouvira já fallar, e o côco. A fruta pão cortava ella com a lamina afiada de uma{18} concha alongada, prova evidente de que não possuia instrumento algum proprio para estes usos.
Indicando então o côco, perguntei-lhe, por meio de gestos, como lograria ella fender e separar o tegumento filamentoso e resistente d'aquelle encouraçado fructo.
Estendendo então a mão, ella tirou d'entre o massiço esponjoso da relva um machado.
Examinei-o: era de Silex!
Fez-se-me, instantaneamente, luz.
Estava no interior do globo, e tinha diante de mim uma descendente do homem primitivo, d'essa raça da idade da pedra; d'esse genesis da humanidade em que a vontade e o pensamento ainda se não traduziam pela palavra.
E que importava; se eu tinha a existencia ligada áquella creatura divina!
N'aquelle modelo, ainda cinzelado pela mão de Deus, eu via a typica puresa das obras do Creador, até mesmo na ingenuidade da alma.
O angulo frontal, levemente accentuado, reforçava, com a engraçada saliencia das sobrancelhas, o brilho e expressão dos olhos.
Eu lia n'elles o seu pensamento, como, atravez das aguas cristalinas d'um ribeiro, se distingue os seixos e os lichens do fundo.