O brilho metallico do tronco e ramos nús fazia-o suppôr.

Chegamos a um campo de verdura aonde pastava o rebanho de cabras. Approximaram-se de nós os animaes e affagaram-nos, mansos como cordeiros.

A vida animal no seio da terra!

Ella! unico exemplar da raça humana! Estes animaes, procreando-se n'este extraordinario meio!

Como explicar este phenomeno?

Occorreu-me então o que tinha succedido a Pompea e Herculanum, submergidas pelas lavas, deixando os edificios intactos; e os lagos subterraneos, grandes como mares, que se encontram no continente Americano.

E quem sabe; dizia eu se, nos tempos primitivos, em que as convulsões do globo, necessariamente mais activas e violentas do que presentemente, devido ao gradual resfriamento do globo; um cataclysmo, invertendo uma parte da crusta ainda plastica e mais delgada, apanhou, no reviramento, uma d'aquellas grutas, unicas habitações então do homem, excluindo assim uma familia da face da terra, dando-lhe porem accesso ao interior?

Era natural que esses seres tivessem armazenado fructos para seu sustento e resguardado,{21} junto de si, seus animaes domesticos da perseguição e voracidade d'outras especies bravias, explicando assim a existencia das cabras e da vegetação que ahi se encontrava.

Ou, teria essa familia tido accesso para esse maravilhoso espaço formado pela dilatação dos gazes por occazião das erupções volcanicas, como frequentemente succede e de que os lagos subterraneos e algares são exemplo, até que, por uma convulsão, ficou-lhe vedada a sahida, e esses seres condemnados a viver no interior do globo? Por qualquer d'estas formas se podia explicar a presença da vida animal e vegetal n'este meio.

Mas, o que se não explica, pensava eu, é o estado de completo isolamento em que vive esta joven de uns deseseis annos.