Um dia, o profundo silencio que nos cercava foi subitamente interrompido por um ruido longinquo, semelhante ao do trovão e, augmentando de intensidade, pareceu a detonação{31} de mil canhões disparados a um tempo, e senti, não os effeitos d'um tremor de terra, mas uma trepidação propria do meio em que me achava, mas que, na superficie do globo, deveria ser um violento abalo, partindo do centro para as extremidades.

Venha d'ahi me acenou ella, como adivinhando o interesse que me deveria proporcionar o phenomeno maior do globo, e colhendo algumas folhas da viscosa Wygandia Macrophilia, salpicou-as de um pó vitrio que conheci ser producto vulcanico e que facilmente adheria á viscosidade da folha até formar uma camada uniforme.

Era, evidentemente, um isolador.

Assim armada, quebrou um ramo da arvore electrica que segurou na mão direita, e com a esquerda conduziu-me a passo apressado.

Em pouco estavamos á entrada de uma especie de corredor estreito e escuro, cujas paredes eram de lava preta, lisa como vidro.

O ramo que ella colhera, illuminava perfeitamente o caminho que terminou em uma vasta galeria tenebrosa que a claridade electrica illuminava mal.

Esta galeria estava innundada de vapores quentes.

Então ella collocou-me junto a uma abertura practicada na parede, d'onde eu deveria observar o que se passava do outro lado.{32}

Um enorme lago de uma materia betuminosa em ebullição extendia-se diante de mim.

Era lava em fusão.