Derepente, pareceu-me distinguir um ponto luminoso semelhante á claridade electrica da gruta cristallina.{35}

Seria alguma fenda que communicasse com ella?

Deliberei-me arrostar todos os perigos. Tudo era preferivel a morrer, lentamente, em meio de trevas eternas, e morrer, a peior das mortes; pela fome.

Sondando o terreno, passo a passo, e servindo-me das mãos como d'escudo, fui caminhando na direcção d'aquella diminuta estrella em ceu tétrico, unica esperança que me restava.

O ponto luminoso hia augmentando, e na mesma proporção, diminuia a minha agonia.

Reconheci que procedia do ramo que nos havia servido de guia em meio da tenebrosa escuridão da caliginosa noite do centro do globo.

Avancei reanimado: iria ter luz ao menos, mas se ella me tivesse desamparado, de que me serviria, se o contacto d'esse facho sem o isolador, era fatal!

Desamparado! repetia eu, de mim para mim!

Não! não é possivel! mil vezes não! Ella era o meu anjo da guarda!

Teria ella fugido espavorida d'aquelle espectaculo medonho e aterrador, e, esquecendo-se do perigo, tocado, com a mão desarmada, no fatal ramo?