Que espectaculo não deve ser o do Universo aos olhos do creador!
Depois, voltando-se para o Oceano, dizia: Carlos! Eu quando profundo mais do que ninguem estas aguas, vejo o sufficiente para julgar da riqueza da flora e da fauna dos mares que augmenta á proporção que descemos aos seus recessos aonde nunca chegaremos.
Apenas a sonda nos traz um ou outro spécimen das opulencias submarinas.
Wyville Thompson, no Challenger, em 1873, investiga os mares do Atlantico e do Pacifico e descobre nas grandes profundidades peixes privados do orgão visual. D'aqui deduziu a sciencia que essa faculdade se fazia desnecessaria aonde havia perpetua escuridão, por isso que os raios solares penetravam a pequena distancia da superficie.
Seguem-se a expedição ingleza do Valerous em 1875, e a Scandinava do Vortigen em 1876; e em 1877 e 78, a Americana do Blake.
Em 1880 e 82, o navio francez, Le Travailleur,{9} profunda o golpho da Biscaia, o Mediterraneo e o Atlantico; e em 1883, Le Talisman, munido de apparelhos mais aperfeiçoados e sob a direcção de Alphonse de Wilne Edwards, sonda os mares do Atlantico.
É n'estas derradeiras explorações que a sciencia, até então na persuasão que a vida organica, devido á pressão e falta de claridade, não podia existir a mais de 560 metros da superficie, revela-nos que, na profundidade de 4500 metros, a pressão nada influe sobre a vida animal, e que, pelo contrario, os seres que habitam o fundo dos mares, trazidos pelas rêdes automaticas á superficie, chegados que são a certa altura, é a propria falta de pressão que lhes dilata os olhos, lhes escancara extraordinariamente a bocca, fazendo expellir as entranhas, ou os esmaga e desfaz, á semelhança do que succede ao areonauta quando sobe a regiões aonde a atmosphera rareia e por falta de compressão, golfa-lhe o sangue pelos olhos, nariz, ouvidos e bocca.[[1]]{10}
Conheceu-se então que a claridade do sol, nulla n'aquellas profundidades, é substituida pela phosphorescencia animal.
As estrellas do mar, da especie Ophiacanthia Spinosa, transmittem uma luz brilhante esverdeada.
Outros muitos viventes, em perpetuo movimento, levam a toda a parte uma luz phosphorecente natural. Os olhos de certos peixes são dotados d'ella, e serve-lhes de pharol nas suas perigrinações, illuminando as aguas, menos abundantes de vida, e attraindo seres de que se alimentam, do mesmo modo que o nosso pescador se vale da luz do candeio.