—Como!—exclamou Cassio reconhecidissimo—Acaso tu?...
—Eu, precisamente não,—interrompeu-o o alferes; mas sim minha mulher, que, compadecida de ti e convencida pelas minhas supplicas, cedeu, a proporcionar-te uma entrevista com Desdemona, que sabe o que se passou e pende para o teu lado.
—E accedeu a receber-me?—perguntou anciosamente o tenente.
—Ás primeiras palavras que Emilia lhe disse intercedendo por ti—respondeu Iago,—e accrescentou que te receberia com muito gosto e que, com maior ainda, intercederia por ti junto do esposo, convencida d'antemão que alcançará o perdão da tua falta, fazendo que sejas reintregrado no posto de tenente.
—E quando julgas que lhe poderei fallar?—interrogou Cassio, com justificada impaciencia.
—Quando te agradar; agora mesmo, se quizeres—disse Iago.
—Agora mesmo?—exclamou Cassio surprehendido.—Está então prevenida da minha provavel entrada no Palacio?
—Desde esta manha, segundo me informou minha mulher. Apenas chegues, Emila conduzir-te-ha á sua presença.
O leal e ingenuo Cassio estreitou carinhosamente entre os braços o ignobil amigo, e disse-lhe com a voz tremula de commoção:
—Perdoa-me, caro Iago, pois tinhas razão quando disseste que chegára a duvidar de ti! Perdoa-me, repito, pois se soubesses que só e desgraçado me encontrava!...