O alferes tremeu, pois ignorava onde queria chegar o terrivel Othello; mas fazendo das fraquezas forças respondeu com voz firme:
—Mandai e obedecerei.
—Acabo de receber uma embaixada de Veneza, que me ordena, em nome da Senhoria, que saia de Chipre, sem demora, para a cidade de S. Marcos.
—Como!—exclamou Yago profundamente surprehendido, apesar da ordem que havia recebido de Othello, de que o não interrompesse.
—Ainda não é tudo—respondeu o mouro com sarcastica amargura, sem fazer caso da exclamação do alferes—O Doge ordena-me tambem que deixe o tenente Cassio encarregado do governo de Chypre.
O infame Yago pôz-se livido de inveja, e tão violenta foi a impressão que n'elle causaram as palavras de Othello que se atreveu a perguntar-lhe:
—E que tenciona fazer, general? Obedecer á Senhoria?
—Não poderei obedecer, ainda que quizesse—respondeu Othello sorrindo ferozmente,—porque os embaixadores partirão dentro em tres ou quatro dias, e esta mesma noite morrerá Cassio de uma punhalada que tu mesmo te encarregarás de dar-lhe.
Brilharam de infernal alegria os olhos do alferes, que se limitou a responder:
—Sou vosso em corpo e alma. Cassio morrerá esta noite....