--É verdade, murmurei eu.
Houve outro silencio, que eu enchi com um sorvo ao grog. Por fim o barão proseguiu, com os olhos sempre cravados em mim, insistentes e anciosos:
--O snr. Quartelmar não sabe quaes fossem as razões que levavam assim esse sujeito Neville para o norte?... Não sabe qual era o fim da jornada?
--Ouvi alguma coisa a esse respeito, murmurei.
E calei-me prudentemente, porque nos iamos avisinhando d’um ponto em que, por motivos antigos e graves, eu não desejava bolir.
O barão voltou-se para o seu companheiro, como para o consultar. O outro, por entre a fumaraça do cachimbo, baixou a cabeça, n’um sim mudo. Então o meu homemzarrão, decidido, abriu os braços, desabafou:
--Snr. Quartelmar, vou-lhe fazer uma confidencia! Vou-lhe mesmo pedir o seu conselho, e talvez o seu auxilio... O agente que me remetteu a sua carta afiançou-me que eu podia confiar absolutamente no snr. Quartelmar, que é um homem de bem, discreto como poucos, e respeitado como nenhum em toda a colonia do Natal.
Dei um sorvo tremendo ao cognac, para esconder o meu embaraço--porque sou extremamente modesto.
--Snr. Quartelmar, concluiu o barão, esse sujeito chamado Neville era meu irmão.
--Ah! Exclamei.