--Presentes de Tuala, o rei, aos homens que vêm das estrellas!
--Agradecemos ao rei, volvi eu sêccamente. Ide!
Apenas os homens partiram, examinamos as cótas com grande interesse. Eram maravilhosas, d’uma malha tão fina, tão cerrada, tão elastica e macia, que uma armadura toda podia caber no concavo das duas mãos. Perguntei a Infandós se eram fabricadas no paiz.
--Não, meu senhor, são coisas que existem ha muito, e que herdamos de paes para filhos. Já muito poucas restam. Só os de sangue real as podem usar. E o rei que as mandou é que está muito contente ou que está muito assustado. Em todo o caso não ha ferro que as atravesse, e bom será, meus senhores, que as useis esta noite na dança.
Quando Infandós sahiu, ficamos conversando n’este estranho incidente--que transformava a nossa pacifica jornada n’uma aventura politica. Como notou o barão, fôra este decerto, desde a nossa partida de Natal, um dos dias mais ricos de emoções e surprezas.
--Extraordinario, disse o capitão. Tem de ser registrado no Livro de Bordo.
Chamava elle Livro de Bordo a um Almanach do anno, com folhas brancas intercaladas, onde costumava assentar os episodios notaveis da nossa espantosa empreza.
--Que dia é hoje? Perguntou elle, sentando-se, com o almanach sobre o joelho.
--3 de julho.
O barão e eu voltaramos a examinar as dadivas de Tuala--quando, d’ahi a instantes, o capitão exclamou com os olhos no almanach: