--Eu sou o rei! Na verdade vos digo que sou o rei! E se ahi ha alguem, d’entre vós, que diz que eu não sou o rei, que sáia a terreiro, se bata commigo, e bem cedo o seu sangue correndo no chão provará que na verdade sou rei. Escolhei pois entre mim e Tuala, oh chefes, soldados, vós todos! Sou eu o rei!
--És o rei! Foi a universal, acclamadora resposta, que atroou toda a collina.
--Bem! Tuala está mandando já emissarios a reunir os seus homens para nos combater. Os meus olhos estão abertos, e verão aquelles que mais fieis me são, e que merecerão mais terra, mais gado, mais riqueza. E agora ide, e preparai-vos para as batalhas, em defeza do vosso rei!
Houve um silencio. Um dos chefes ergueu a mão; e os vinte mil homens, ferindo o sólo com as azagaias, soltaram a grande saudação real--krum! krum! krum! Ignosi estava acclamado rei. Os batalhões immediatamente recolheram aos seus acampamentos. No planalto reinou silencio e ordem.
Logo depois celebramos um conselho de guerra, com todos os capitães. Era evidente que em breve seriamos atacados pelas tropas fieis a Tuala. Já do alto da nossa collina nós viamos regimentos marchando, a concentrar-se em Lú--e um incessante movimento de armas por toda a estrada de Salomão. Do nosso lado contavamos com vinte mil homens. Tuala, segundo o calculo dos chefes, poderia ter reunidos na manhã seguinte trinta e cinco a quarenta mil soldados. Mas d’esses, muitos eram recrutas; e a forte flôr do exercito, os veteranos endurecidos, os capitães de experiencia estavam felizmente comnosco, sobre a collina da Revolta.
O primeiro cuidado era fortificar a nossa posição. Começámos por obstruir com grossos rochedos todos os carreiros que subiam da planicie. Nos pontos mais accessiveis erguemos estacadas e trincheiras. Accumulámos á orla do planalto montes de pedras para arremessar sobre os assaltantes. Aqui e além cavámos fossos. E, como todo o exercito trabalhava, ao fim da tarde a collina fôra convertida em cidadella.
Justamente antes do pôr do sol, vimos um grupo de homens que de uma das portas de Lú avançava para nós, fazendo soar um tam-tam. Um d’elles trazia na mão uma palma verde. Era um arauto.
Ignosi, Infandós, dois ou tres chefes, eu e os amigos descemos ao seu encontro. Vimos um soberbo homem, ainda moço, com a pelle de leopardo aos hombros.
--Saude! Gritou elle, parando e agitando a palma. O rei envia o seu saudar áquelles que lhe fazem uma guerra infiel. O Leão envia o seu saudar aos chacaes.
--Falla! Bradei.