Tamanduá, em Minas—Janeiro, 93.
Meu tio,
Ha neste livro paginas que vos pertencem, porque eu nunca as teria escripto se a minha Bôa Sorte me não tivesse guiado para o retiro de ascetismo voluptuoso onde viveis, em beato socego, praticando a moral divina de Epicuro e cuidando flores; outras ha, e profusas, derivadas da sabedoria fecunda do dr. Gomes, de quem guardo saudades e conceitos; outras, finalmente, que seriam dedicadas á Jesuina se o escrupulo não existisse na moral privada.
Offereço, porém, as minhas primeiras letras ao padre Coriolano, porque, sem elle, meu tio amado, eu seria ainda hoje tão bronco como o Venancio Dias, do rancho de Santa Engracia, ou como o José Taborda, da cordoaria.
Outros livros virão, nitidos e pensados; e, dentre elles, escolherei o mais digno dos vossos merecimentos.
Não alastro as paginas com dedicatorias: a meu pai, á minha mãi, nos meus parentes e amigos, vivos e finados, para que se não diga de mim o que por aqui se propalou a respeito do Brites, que encheu quatorze folhas da sua these sobre o «cryptococus xantogenico», com offerecimentos, envois e uma reclame a certa modista da rua d’Ajuda.
Outros livros virão, meu tio amado.
Affectuoso,
Anselmo.