—Ó senhor! Ó senhor! Voltei-me; era o caixeiro que me perseguia sorridente e apressado:

—Olhe ali em baixo o Sr. doutor Gomes...

—Onde? indaguei ancioso.

—Acolá, ao fundo.

Ainda não conseguira descobrir o paradeiro do illustre moço e já a sua voz clamava por mim de longe, festivamente:

—Bemvindo seja o meu amigo!

Avancei pressuroso e radiante, esgueirando-me por entre as cadeiras para cahir nos braços do meu recente amigo. Apertámo-nos e, em poucas palavras rapidas, contei a minha peregrinação pela rua nesse dia obscuro e inerte. O doutor, com um gesto vago, lançou apodos ao clima e, arrebatando-me para a mesa, apresentou-me a uma formosa mulher loura, em cujo rosto reconheci promptamente as pupillas azues mais claras do que a celagem, que tanto me haviam seduzido quando, pela primeira vez, palmilhei o lagedo da rua do Ouvidor.

—Mlle. Marie, ou simplesmente Marion, a divina Marion... E á loura, com distincção: Dr. Anselmo Ribas, meu amigo. Curvei-me ao peso do titulo e diante da belleza. A divina Marion desabrochou um sorriso adoravel, todo doçura e graça, á flor dos labios finos e offereceu-me a pequenina mão apertada em uma luva côr de perola que lhe subia ao cotovello, enrugada e cheia de pulseiras. Commovido e tremulo tomei a mão leve de mademoiselle e que de esforços empreguei para não a levar aos labios!

Mettez-vous ici... disse-me ella afastando-se com um rumor de sedas, comparavel ao que fazem os bandos de pombos bravos quando levantam o vôo das margens dos rios, na minha terra.

Sorri e balbuciei com uma pronuncia tosca: Je vous remercie bien.