O gordo, com a voz cheia, accusou: Do dégas.

—105 brancas... eram minhas. O resto foi raspado. O Guedes, corrido, não disse palavra, limitou-se a molhar o lapis nos beiços para annotar e o rapazola, enxugando o suor da fronte, já sulcada de rugas, lastimava: «que sahira justamente o numero em que menos jogara.»

O doutor, vendo-me carregado de fixas, felicitou-me, ajuntando em tom discreto—que não me precipitasse.

—Descance...

—Deve ser agora o 36, disse o Guedes timido.

—Como o 36? porque?

—É a somma de 18.

—Vá lá o 36... Jogo por sua conta, e atirei sorrindo.

O gordo, engasgado, a tossir, seguiu o meu palpite dizendo—que os estreantes são sempre felizes e atirou duas fixas sobre o 36. Tive impetos de declarar que jámais pensara em tal numero, que o palpite era do Guedes, mas o pobresinho voltara para o meu rosto os oculos verdes e, atravéz das lentes, pareceu-me que os seus olhinhos tristes imploravam. Calei-me. Deu o 15.

—Apre! bradou o de Pascal. Que sorte!