—É imprudencia insistirmos em proseguir em tal escuridão, disse Maria com medo. É Deus que nos retém.

José deteve-se. Parecera-lhe ter ouvido vozes, rumor de passos, estalos de ramos seccos, como se viessem outros caminheiros. Escutou attentamente.

Era o vento que agitava o folhedo e eram as aguas profundas que referviam nos algares.

Mas um clarão suave accendeu-se no fundo espesso do arvoredo. Quem seria? Encolheram-se os dois, olhos fitos na claridade, que se adiantava como a luz de um facho. [{80}]

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Uma centelha passou na escuridão, outra gyrou nos ares, as folhas, os ramos das arvores ficaram incrustados de brazas.

Surgiram da terra, saltaram das rochas, subiram dos desfiladeiros, a espessidão estrellou-se e todas as fagulhas, unindo-se, formaram uma rutila umbella pairando sobre Maria e José como a nuvem seguiu Israel guiando-o luminosamente pelo negror das noites no deserto.

Eram pyrilampos que voavam em ordenada phalange alumiando os caminhos obscuros.

E os dois, sob o relume dos insectos, continuaram a viagem dentro dum reverbero que só ao clarear d'alva desappareceu nos ares. [{82}]