—Não sei. O coração aperta-se-me, um grande medo invade-me, constrange-me. Tremo e sinto-me gelar. As proprias flores causam-me horror. As anemonas parecem-me chagas que sangram. Tenho medo, um grande medo, como se fosse caminhando para a morte. Que tumulo é aquelle que apparece além, tão alto, tão negro, sob o vôo dos corvos?

José seguiu com o olhar a direcção do gesto de Maria.

—O que vês são as muralhas de Jerusalem, onde chegaremos antes do pôr do sol.

—Além das muralhas, aquelle tumulo negro, tão triste, onde agora o sol brilha.

Uma velha, trazendo um jumento pela arreata, sahiu ao caminho vagarosa. [{87}]

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José saudou-a, a velha sorriu á Maria abençoando-a e a Virgem, escondendo a tristeza num sorriso, perguntou-lhe:

—Que tumulo é aquelle, além! tão alto, dentro dos muros da cidade? Os corvos rondam-no, deve haver mortos ali.

—É um monte, disse a mulher.