Suavemente morena, os olhos grandes e tristes eram dum limpido verde d'agua, e como dois lagos purissimos [{8}] num areal, ao sol; e os cabellos, escapando-se do cairel do manto, punham-lhe na fronte uma frisa de ouro.

Mal se lhe adivinhava o collo abotoado.

Os pés, alvos e pequeninos, assentavam em sandalias e toda a sua riqueza consistia em um par de braceletes de marfim que lhe cingiam graciosamente os pulsos finos.

Trilhando a estrada que ia ter á fonte e seguia direita aos campos, paravam para falar ás moças, companheiras e amigas de Maria, para corresponder á saudação dos homens, para attender ás crianças que deixavam os seixos tomando-lhes o passo, pedindo que lhes trouxessem das terras de além conchas, como as de Ascalon, que conservam no bojo o soluço das ondas.

E Maria, commovida, chorava sobre o sorriso. [{9}]

Os campos toldavam-se de bruma e as oliveiras de pallida folhagem faziam no recosto das collinas como estendaes de nevoa.

Ainda havia quem trabalhasse a leira na ancia do fruto. Chiava um carro de lavoura, o guieiro afalava aos bois animando-os no lance abrupto de uma rampa.

Chegando ao planalto esteril, que dominava os horizontes e onde o vento zunia, os viajantes fizeram uma parada olhando em redor o redente dos montes.

Lá ficava Nazareth no valle feliz, com o seu casario, em cubos brancos, como um pacifico rebanho adormecido.

Ao longe tudo era carregado e lugubre.