Quando o Menino adormeceu José, aproximando-se de Maria, perguntou-lhe baixinho: «Se vira as tres virgens que cercavam o Infante ungindo-o de luz?» A Immaculada respondeu no mesmo tom discreto:

—Logo que sahiu do somno, ainda antes de vêr meu filho, dei com ellas, immoveis, aclarando toda a caverna, de joelhos em torno do Recem-nascido.

Não falavam. Não sei quem são. [{130}]

Desappareceram de repente como as estrellas desapparecem.

—Seriam anjos? Uma serena voz, sahindo das pedras, falou no silencio:

—A primeira é toda a Crença do Homem: é a Virtude que leva a Alma á presença do Altissimo.

Antes da vinda do Messias era a nevoa indecisa que resplandecia e obumbrava-se; agora é a Luz pura e perenne, a luz viva que guia ao Paraiso atravez de todos os abrolhos, por meio dos mais árduos soffrimentos, vencendo as mais perversas tentações, sempre direita, inflexivel e segura. É a Fé.

O seu olhar não se desvia, a sua linguagem é a prece, a sua confiança é Deus. É a mais forte das tres. A segunda é uma consoladora. Parece um reflexo da primeira: É a Esperança.

Veste-se de illusões, recama-se de sonhos para distrahir a Alma, livrando-a [{131}] do desespero. É como o ramo verde que se inclina á borda dos abysmos. É a divina miragem que, atravez das agruras da vida, reanima o coração combalido, creando perspectivas venturosas.

Só, é uma encantadora que vive a inventar maravilhas, ligada á Fé é a precursora que desbrava o caminho para a travessia da alma.