De ternos corações busca saudades
'Spirito que se ausenta, e extinctos olhos
Querem piedoso pranto; a Natureza
Lá do fundo das campas inda clama,
Inda mesmo entre cinzas
Sua chamma usual vive inexhausta.

Gray, cemiterio da aldea.

Ao meu amigo,

JOAQUIM TORQUATO ALVARES RIBEIRO.


Perdeste pais e irmãos, quaes vio apenas
A suspirada em vão Saturnia idade;
E, sob o imperio de Cruel saudade,
Soffreo teu coração amargas penas.
Carpir alheios lutos
Quem os proprios carpio ah! não recusa;
Nem com olhos de pranto sempre enxutos
Simpathisar consegue a minha Musa.
Mas hoje, amigo, mais propicia sorte,
Por ver-te resarcido
Do muito que has perdido,
Deo-te, digna de ti, rara consorte,
Dos thesouros do Ceo mimo escolhido.
Oh! nunca, nunca vos separe a Morte!

Henrique Ernesto d'Almeida Coutinho.

As saudades
DO
BARDO ORTHODOXO,
POEMA.