«Ah! Tinhas razão quando no teu leito de agonia, me disseste que eu nunca te poderia esquecer.
«Tu foste a poesia e a flôr da minha juventude e viverás eternamente no meu pensamento.»
Depois tirando um lapis da algibeira escreveu estes versos sobre o marmore da lapide tumular:
Appareces-me sempre, oh candida Visão!
E choro-te saudoso, oh minha Primavera!
Se não soffrêra assim seria ingratidão.
Furtar-te á morte, amôr, eu bem quizéra,
Mas sempre viverás na minha adoração.
Muito tempo ainda decorreu.
Branche, Didier e Maupertuis, começaram a inquietar-se.
—É preciso arrancal-o d'aqui, disse Maupertuis; a dôr pode matal-o.
Branche aproximou-se e tomando o seu amigo por um braço, afastou-o d'ali. Ronquerolle deixou-se conduzir como uma creança. Pararam depois um instante nas immediações do Père-Lachaise e d'ali contemplaram Paris que se desenrolava deante d'elles.
—Vamos, disse Maupertuis, que era um homem de energia, desçâmos ao turbilhão, e esqueçâmos as miserias d'este mundo, proseguindo na nossa obra de justiça... A nós a fortuna e a gloria! A nós a vida!
Ronquerolle apertou a mão do seu companheiro de luctas e sorriu tristemente.{160}