N'uma quinta-feira, Ronquerolle sahindo da Camara, dirigia-se a pé para sua casa pela explanada dos Invalidos. Cahia gelo e por isso eram raras as pessoas que andavam pelas ruas.
Chegado á altura da rua de Grenelle, o deputado de Saint-Martin, parou um momento para deixar passar uma fila de carruagens...
Como olhasse em torno de si, antes de atravessar a rua, notou á sua esquerda, um individuo cuja figura não lhe era desconhecida.
Esse homem conservava-se a distancia, e quando viu que Ronquerolle o observava, alargou o passo e passou adeante do deputado.
—Ah! Já sei, disse Maximo, este homem é um agente da policia. Depois da minha interpellação ao ministerio, este honesto espião não me deixa um segundo.{121}
Não se enganava. O homem era effectivamente um agente da policia secreta. O discurso de Ronquerolle tornara-o um deputado perigoso, temivel para um ministerio na agonia. A consequencia natural d'esse facto era fazel-o submetter a uma rigorosa espionagem.
Chegariam com essa espionagem a colher elementos da sua vida privada, de que naturalmente se serviriam no momento opportuno para entravar essa eloquencia que vinha de nascêr e que se apresentava implacavel para com a traição.
Ao mesmo tempo que os adversarios de Ronquerolle o submettiam a essa vergonhosa e ignobil observação dos agentes da policia secreta, o inimigo da marqueza de la Tournelle não dormia tambem.
Mais enraivecido que nunca, o barão de Quérelles tinha resolvido, elle tambem, fazer passar a bella Carlota por uma espionagem assidua.
Adivinhava que ella tinha um segredo a occultar, e esse segredo queria elle conhecêl-o, afim de a fazer estremecer ante a sua pequena estatura.