Mandou D. Rodrigo formar um esquadrão mais luzido do que numeroso, que sahiu ao campo a esperar os inimigos, que julgavam colhêr os portuguezes descuidados.

Mas não succedeu assim.

Dêmos mais uma lição a estes barbaros,—exclamou D. Rodrigo ao sahir as portas de Tanger—mostrêmos-lhes que sômos os mesmos portuguezes que os temos vencido sempre.

As tropas portuguezas ouviram estas palavras com um excesso d'enthusiasmo, e sahiram a encontrar as hordas barbarescas.

Chegaram finalmente os mouros.

Mal se poderá avaliar o assombro que os acommetteu logo que encontraram, contra a sua expectativa, tropas portuguezas fóra dos muros, á sua espera.

Travou-se o combate, asperissimo combate foi{30} elle, em que os nossos sustentaram por espaço de duas horas e meia o peso enorme de tão grande exercito.

Estavam todos os campos vizinhos juncados de tropas inimigas. E nós eramos um contra cem!! A pequena guarnição de uma praça contra o poder de um exercito commandado pelo proprio rei em pessoa!!!

Foi então que mais uma vez obraram os portuguezes acções que hão-de em todos os tempos deixar muda a eloquencia.

Os mouros combatiam como tigres selvagens que irrompem das suas jaulas de ferro, mas vinham enfiar-se nas espadas e nas lanças dos briosos defensores de Tanger.