Se quizeres que umas faces sêccas se cubram de pranto, chora, e verás umas novas lagrimas unidas ás tuas.
Se quizeres que o moribundo conheça todo o fogo da vida, senta-te á cabeceira d'esse leito da morte, e elle julgará, ao ver-te, um anjo de Deus que o vem consolar; e se o não revocares á vida, é maior o teu triumpho; não terá elle necessidade de orar, porque acreditará que tu, o seu anjo da guarda, o vens visitar, para o acompanhar contente á morada dos justos.
Mulher, para que fostes criada? Nem tu o sabes! Quando pura sahiste das mãos do Eterno, foi-te confiada uma missão sublime. Nasceste para consolar{11} o homem das fadigas da vida, para lhe lembrares que ha um Deus, para lhe apontares com um sorriso a estrada da felicidade, quando o espinho cruciante da mágoa lhe houver trespassado o coração. Nasceste, em fim, para dizeres, sorrindo, ao homem—queres ser feliz? Ama.
Oh! mulher, se esse sorriso te cobre de bençãos, para que abusas algumas vezes d'elle?
O sorriso que dá ventura, collou-t'o Deus nos labios; mas o do desdem, que leva ao fundo d'alma todo o fel da desgraça, só t'o podia ensinar um demonio! Quando com aquelle encaras o homem, podes vêl-o louco de amor, podes apontar para um ferro, que elle contente rasgará o peito, e ao aproximar-se da campa pronunciará religiosamente o teu nome! Quando, porém, com este ris sarcasticamente do seu amor, não lhe aborreces ainda; ama-te, mas com esse amor alimentado de ciumes e vivente de desenganos! O homem então crê não merecer-te, forceja por adquirir meios de ser amado, e quando 'nisto pensa, o seu amor é mais intenso; se é criminoso, julga ser o crime o que de ti o aparta, e é então que abraça a virtude; se ainda assim o não chamas com um sorriso, e o seu amor não acha raias a occupar, vêl-o-has morrer, definhado pela dôr e victima de uma paixão louca e não correspondida!
Mulher sabes quando és grande? Quando apertando{12} ao seio um filho, pareces querer suffocal-o com caricias, e lembrar-te só de teu filho e de Deus.
És grande tambem, quando a morte rouba de teus braços esse mesmo filho, e com os olhos no ceu, e banhados de lagrimas, exprimes só—saudade. És grande, em fim, és sublime, não pareces mulher, és um anjo, quando ebria do amor cahes, como de fadiga nos braços de teu esposo, e pareces querer articular, sem forças, essa palavra, inventada pelos anjos—amor!
Oh! Quanto é bom ser feliz!
Como o viver é delicioso quando se encontra no mundo uma mulher a quem idolatramos, a quem adoramos e prestamos homenagens, como se fôra a propria Divindade!...
No alvorecer da vida, o coração do homem tem necessidade d'amar, d'amar com todo o fogo, com toda a loucura d'uma alma verdadeiramente apaixonada!...