Levantou-se um ventarrão de tormenta e Anhangá-pitã, trazendo num bocó a teiniaguá, montou nele, de salto, e veio correndo sobre a correnteza do Uruguai, por léguas e léguas, até as suas nascentes, entre serranias macotas.
Depois, desceu, sempre com ela; em sete noites de sexta-feira ensinou-lhe a vaqueanajem de todas as furnas recamadas de tesouros escondidos… escondidos pelos cauílas, perdidos para os medrosos e achadio de valentes… E a mais desses, muitos outros tesouros que a terra esconde e que só os olhos do zaorís7 podem vispar…
Então Anahangá-pitã, cansado pegou num cochilo pesado, esperando o cardume da desgraças novas, que deviam pegar p’ra sempre…
Só não tomou tenência que a teiniaguá era mulher…
Aqui está tudo o que eu sei, que a minha avó charrúa8 contava à minha mãe, e que ela já ouviu, como cousa velha, contar por outros que, esses, viram!…
E Blau Nunes bateu o chapéu para o alto da cabeça, deu um safanão no cinto, aprumando o facão…; foi parando o gesto e ficou-se olhando, sem mira, para muito longe, para onde a vista não chegava mas onde o sonho acordado que havia nos seus olhos chegava de sobra e ainda passava… ainda passava, porque o sonho não tem lindeiros nem tapumes…
Falou então
o vulto de face branca e tristonha; falou em voz macia. E disse assim:
III
É certo: