Poucos toparam a parada… ah!… mas esses que toparam, tiveram o que pediram, que a rosa dos tesouros, a moura encantada não desmente o que eu prometo, nem retoma o que dá!
E todos os que chegam deixam um resgate de si próprios para nosso livramento um dia…
Mas todos os que vieram são altaneiros e vieram arrastados pela ânsia da cobiça ou dos vícios, ou dos ódios: tu foste o único que veio sem pensar e o único que me saudou como um filho de Deus…
Foste o primeiro, até agora; quando terceira saudação de cristão bafejar estas alturas, o encantamento cessará, porque eu estou arrependido… e com Pedro Apostolo que três vezes negou Cristo foi perdoado, eu estou arrependido e serei perdoado.
Está escrito que a salvação há de vir assim: e por bem de mim, quando cessar o meu cessará também o encantamento da teiniaguá: quando isso se der a salamanca desaparecerá, e todas as riquezas, todas as pedras finas, todas as peças cunhadas, todos os sortilégios, todos os filtros para amar por força… para matar… para vencer… tudo, tudo, tudo se virará em fumaça que há de sair pelo cabeço roto do serro, espalhada na rosa dos ventos pela rosa dos tesouros…
Tu me saudaste — o primeiro, tu! — saudaste como cristão.
Pois bem:
alma forte e coração sereno!… Quem isso tem, entra na salamanca, toca o condão mágico e escolhe o quanto quer…
Alma forte e coração sereno! A furna escura está lá: entra! Entra! Lá dentro sopra um vento quente que apaga qualquer torcida de candeia… e tramado nele corre outro vento frio… que corta como serrilha e geada.
Não há ninguém lá dentro… mas bem que se escuta voz de gente, vozes que falam… falam, mas não se entende o que dizem, porque são línguas atroadas que falam, são os escravos da princesa moura, os espíritos da teiniaguá… Não há ninguém… não se vê ninguém: mas há mãos que batem. como convidando, no ombro do que entra firme, e que empurram, como ainda ameaçando, o que recua com medo…