*4 Boi barroso* —É a vaga relembrança de um boi encantado, que aparecia porém nunca era encontrado por mais procurado que fosse; e também denominação de uma antiga dança camponesa, cuja música era ornada de versos que eram cantados durante o folguedo.

*5 Anhangá-pitã* — Literalmente, do tupi-guarani: diabo vermelho.

*6 Teiniaguá* — Idem: lagartixa. A teiniaguá encantada também era chamada — carbúnculo, farol — e trazia engastada na cabeça “uma pedra preciosa que cintilava como brasa e de cor de rubim…

Semelhante animal nunca puderam apanhar nem vivo nem morto, porque por suas irradiações desvia os olhos e mãos dos perseguidores”. (Rev°. C. Teschauer, S. J. na Rev. do Instº. do Ceará, 1911).

*7 Zaorís* — V. adiante a lenda referente.

*8 Charruas* — Tribo guerreira, indômita, acantonada sobre a Coxilha de Aedo, e dominando o rio Quaraí até o Uruguai e para L. até o rio Negro. As guerras e contínuas correrias que desde 1750 até mais de um século depois afligiram o Rio Grande e o Estado Oriental dizimaram esta tribo (como a outras) hoje por bem dizer, extinta. Desse quase acabamento e a deturpação das lendas que entre tais gentes floresceram.

*9 Cidade de Santo Tomé* — Na Argentina; sobre o Uruguai, entre o Rio Icamaquã e a cidade rio-grandense de S. Borja. “Destruídas as reduções do Guaíra e expulsos pelos mamelucos, estabeleceram-se os missionários primeiro no centro do Rio Grande do Sul entre os rios Pardo e Jacuí. Mas só por poucos anos. Mais tarde, outra vez perseguidos e expulsos pelos mesmos,

refugiaram-se uns para as hodiernas Sete Missões, os outros para a margem direita do Uruguai, encorporando-se à redução de Santo Tomé, de cujas ruínas se levantou depois a cidade do mesmo nome, quase em frente de S. Borja”. (Revo. C. Teschauer, citado) Existe no arrabalde de S. Tomé a famosa sanga, que aponta como prova do acontecimento e poder da teiniaguá encantada.

*10 ,… tangido pelo Destino* — É característico este traço no indivíduo rio-grandense, que até por hábito doméstico emprega como vulgares as expressões — sorte, destino, fado — Na gente inculta torna-se curiosa a indistinta veneração prestada ao divino e ao diabólico, como forças superiores que atuam sobre os homens.

*11 …aí durou duzentos anos, etc.* — Coincide com a lamentação do sacristão encantado a era do período do mais calmo das missões sobre o rio Uruguai, 1650, em que formou-se a lenda.