— Pelo baio! Luz e doble!…
— Pelo mouro! Doble e luz!…
Os corredores fizeram suas partidas à vontade e depois as obrigadas; e quando foi a última na última, fizeram ambos sua senha e se convidaram. E amagando o corpo, de rebenque no ar, largaram, os parelheiros menando cascos, que parecia uma tormenta…
— Empate! Empate! gritavam os aficionados ao longo da cancha por onde passava a parelha veloz, compassada como n’uma colhéra.
— Valha-me a Virgem madrinha, Nossa Senhora! gemia o Negrinho. Se o sete léguas perde meu senhor me mata! Hip! hip! hip!…
E baixava o rebenque, cobrindo a marca do baio.
—Se o corta-vento ganhar é só para os pobres! retrucava o outro corredor. Hip! hip!
E cerrava as esporas no mouro.
Mas os fletes corriam compassados como numa colhéra. Quando foi na última quadra, o mouro vinha arrematado e baio vinha aos tirões… mas sempre juntos, sempre emparelhados.
E a duas braças da raia, quase em cima do laço, o baio assentou de sopetão, pôs-se em pé e fez uma cara-volta,, de modo que deu ao mouro tempo mais que preciso para passar, ganhando de luz aberta! E o Negrinho, de em pelo, agarrou-se como um ginataço.