Quem perder suas prendas nos campos, guarde a esperança: junto de
algum moirão ou sob os ramos das árvores, acenda uma vela para o
Negrinho do pastoreio e vá lhe dizendo — Foi por aí que eu perdi…
Foi por aí que eu perdi… Foi por aí que eu perdi!…
Se ele não achar… ninguém mais.
*ARGUMENTO DE OUTRAS LENDAS MISSIONEIRAS E DO CENTRO E NORTE DO BRASIL.*
*MISSIONEIRAS*
*1* *A mãe do ouro*
O que é hoje serra de pedra já foi gente vivente: foi gente num tempo antigo, e por um castigo do céu, escureceu de repente e caída ficou onde estava…
Onde estavam sozinhos ficaram serros e serrotes; onde estavam apinhoscados ficou a serrania encordoada.
E os ossos aí estão acimentados, em pura pedra virados; a carne que os cobria deu terra negra; os cabelos são os matos, matos que bebem o sangue, que nos parece a nós apenas cascatinhas e vertentes; os lugares ocados que aparecem são os buracos do seu corpo, da sua boca e olhos, do seu nariz e ouvidos… As veias deram em ferro, e os nervos, como parte delicada, viraram-se ouro e são os veeiros amarelos que se entranham por aí abaixo, adentro da crosta, tal e qual os nervos estão entranhados na carnadura da gente.
Mas o que governa tudo, que não se sabe o que é, que é a Alma, que não morreu, essa é que é a Mão do Ouro, porque ela não entrou no castigo, e que defende os nervos dos castigados, os veeiros da fortuna, para que no dia do Perdão cada um ache o que seu é…
Aí está porque, quando troveja, tantos raios caem sobre sobre certos serros e tanto ventarrão esbarra neles:… é a Mãe do Ouro que chama socorro…