*14* *A Mula sem cabeça*

Diziam que as mulheres de má vida, relacionadas com padres, se transformavam, tarde da noite, em mula, sem cabeça, e conduzindo na cauda um facho de fogo, que nenhum vento ou chuva apagava antes de romperem as barras do dia…

*15*

A lenda referente aos — enterros — (dinheiro, jóias, baixelas enterradas) tem a sua origem na crença das almas do outro mundo — os espíritos — “A alma de quem morreu sem deixar notícias do dinheiro que tinha escondido ou guardado em tal e tal lugar, anda penando. As luzes azuladas que se observam de noite nos campos e em redor das povoações, que volteiam e afinal se desvanecem, não são senão almas penadas.

“Só quando um cristão descobrir o — enterro — é que hão de cessar de aparecer e de penar”

Se o — enterro — está da habitação ouve-se ruídos, pancadas, gemidos… são as casas — mal assombradas. —

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A lenda da — Lagoa brava — é apenas uma variante da dos Serros bravos e tem a sua contextura na da Oiára. A da lagoa do Iberá, bem como a dos salamanqueiros, do nhandu — tatá e outras, são mais do acervo rio-platense-andino.

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Há ainda, de formação local, muitas histórias ingenuíssimas e curiosas, tais como a dorme-dorme (ave vespertina); porque a pomba não sabe fazer seu ninho; porque a capivara é rabona (sem cauda); a do anu, ladrão do ninho alheio; a do João barreiro, e outras muitas, para adormecer crianças…*