Por via d'isso toda a parentella lhe ficou chamando João-Pequenino. Crearam-n'o tão bem quanto puderam; não cresceu mais, ficando sempre do mesmo tamanho em que nascêra. Era muito vivo, muito esperto; e tinha uns olhitos muito brilhantes; e bem cedo mostrou o tino e actividade sufficientes para levar a bom-effeito qualquer empreza a que se abalançasse.{75}
O camponez, certo dia, apromptava-se para ir cortar madeira á matta visinha e disse para comsigo:
—Bem precisava eu de quem me conduzisse a carroça.
—Pae—gritou João-Pequenino—eu guio a carroça, se quer; não se assuste que chegará a tempo.
O homem desatou a rir:
—Isso é impossivel! Se és tão pequenino, como has de segurar a redea ao cavallo?
—Isso não faz ao caso, pae! Se a mãe vae atrellar o cavallo, eu metto-me na orelha do cavallo e ensino-lhe o caminho a seguir.
—Pois então, experimentemos.
A boa da mãe metteu o cavallo á carroça, e introduziu João-Pequenino na orelha do animal; e o João-ninguem gritava todo o caminho: Vá, cavallo! mas tão distinctamente que o animal andava como se na realidade o guiasse algum carroceiro; d'esta maneira chegou a carroça{76} á matta, indo pelos melhores caminhos.
No momento em que a carroça torneava uma sebe, e se ouvia a voz do rapazinho: vá, cavallo! passaram dois individuos desconhecidos que exclamaram estupefactos: