João-Pequenino, porêm, que percebêra e ouvira bem toda a conversa, trepou pelas pernas do pae á altura do hombro e segredou-lhe:
—Pae, acceite a proposta, que eu em breve estarei de volta.{78}
Ante esse conselho de João-Pequenino, o pae cedeu-o aos homens por uma valiosa moeda de ouro.
—Onde queres tu collocál-o?—perguntaram entre si.
—Ora, ponham-me na aba do chapéu; assim posso vêr tudo quanto se passa em volta de mim e não ha meio de me perderem—alvitrou João-Pequenino, accrescentando:—Mas, cuidado, não me deixem cair.
Os homens assim fizeram; João-Pequenino despediu-se do pae, e foram-se embora com o rapazinho. Fartáram-se de caminhar até ao cair da tarde; n'essa occasião o boccadinho de gente gritou-lhes:
—Parem, que preciso de descer!
—Deixa-te estar no meu chapéu; não estejas com cerimonias, porque os passarinhos tambem me fazem isso muita vez!
—Não, não quero!—insistiu João-Pequenino—ponham-me depressa no chão.{79}
O homem pegou no João-ninguem e pôl-o no chão n'um relvado á beira-estrada; João-Pequenino depressa alcançou umas moutas e de repente encafuou-se n'uma toca de rato que buscára de propósito.