[[17]] Poesias, pag. 51.
«E eu comparei o solitario obscuro
Ao inquieto filho das cidades:
Comparei o deserto silencioso
Ao perpetuo ruido que sussurra
Pelos palacios do abastado e nobre,
Pelos paços dos reis; e condoí-me
Do cortesão soberbo que só cura
De honras, haveres, glorias que se compram
Com maldições e perennal remorso.»
«Oh cidade, cidade que trasbordas
De vicios, de paixões e de amarguras!
.........................................
Soberba prostituta alardeiando
Os theatros, e os paços e o ruido
Das carroças dos nobres recamadas
De ouro e prata, e os prazeres de uma vida
Tempestuosa e o tropeiar continuo
De fervidos ginetes que alevantam
O pó e o lodo cortezão das praças
.........................................
Braqueado sepulcro, que misturas
A opulencia, a miseria, a dôr e o goso
Honra e infamia, pudor e impudecicia
......................................... »
Poesias, pag. 52, 53 e 54.
«Bello ermo! Eu hei de amar-te emquanto esta alma
Aspirando o futuro além da vida
E um halito dos céus, gemer atada
Á columna do exilio, a que se chama
Em lingua vil e mentirosa o mundo.
Eu hei de amar-te, oh valle, como um filho
Dos sonhos meus. A imagem do deserto
Guardal-a-ei no coração, bem junto
Com minha fé, meu unico thesouro.»
Poesias, pag. 50 e 51.
[[20]] Poesias, pag. 112.
[[21]] Poesias, pag. 27.
[[22]] Poesias, pag. 20.
[[23]] Poesias, pag. 4.
[[24]] Poesias, pag. 31.