Porque não fizemos o mesmo em Lisboa, preferindo a imitação parisiense, tão pouco justificada? Porque não teremos o pateo alumiado, fresco e aceiado em logar da escada sombria, abafada e negra? Porque não fizemos uma avenida ladeada de casas peninsulares em logar d'um boulevard?

Descuidadamente, fui a fallar das coisas de casa. Pois não voltarei atraz. Recolho ao ninho, que já não é sem saudade.

Ao abeirar-me d'essa natureza que encerra o vidoeiro e a palmeira, com tanto amor bafejada da fertilidade e belleza, ao contacto d'essa alma tão nobre que na corrupção e na miseria tem ainda scintillações de heroismo, esmorece a sympathia pela gente que deixei para além dos Pyrenéos e dos Alpes.

A sua alegria é um sorriso frouxo na sombra tremula e fria do vidoeiro e do abeto, e a alegria da minha terra vai desde a alvorada de primavera rutilante e fresca até á gargalhada estridente e pagã, entre o perfume do louro e o vigor do pampano. A sua melancolia é o brando palpitar d'um crepusculo de outono, e a melancolia da minha terra é ardente e ampla, um clamor de bronze vibrado nas labaredas do estio.

Bem vindo seja pois esse ninho tecido de miserias e de grandeza!

INDICE

Pag.
Dedicatoria[V]
Advertencia[VII]
Modos de viajar[2]
O Minho[4]
O Douro[6]
Entrada em Hespanha[7]
Salamanca[9]
Miranda do Ebro[12]
Os Pyrenéos[13]
Paris[14]
Liège[23]
Lavoura por cavallos[24]
Campos de Liège[25]
O Hanover[26]
Prados e florestas[27]
O snr. G. Saunders[28]
Berlim[29]
De Berlim a Varsovia; a alfandega russa[33]
A paisagem da Polonia[34]
Varsovia[36]
A paizagem do norte da Russia[38]
A aldeia da Russia[39]
Moscow[40]
Visita a Tolstoï[44]
S. Petersburgo[53]
A Finlandia[55]
A paizagem[56]
A Scandinavia[59]
Copenhague[64]
A industria moderna[67]
O domingo em Paris[72]
Seducções de Paris[73]
Paizagem do Rhodano[75]
Marselha[76]
Caminho d'Argel[77]
Argel[80]
Paizagens[87]
Os monumentos arabes[91]
A Andaluzia[97]

DO MESMO AUCTOR: