Naudin diz:—«Conhece-se facilmente ao longe, pelos ramos longos, delgados e pendentes, que lhe dão certa semelhança com o chorão. Abundante de folhagem e flôres, recommenda-se como arvore decorativa.» Sahut julga-o «muito resistente e interessante pelos ramos pendentes e pelas flôres odoriferas que as abelhas procuram avidamente».

Merece propagar-se; é manifesto. Sempre se me mostrou resistente, até mesmo em situações ardentes e em terrenos com larga dose de argila.

E convenço-me de que não ficaria mal á beira das estradas e em volta da casa dos nossos vinhateiros. Tem belleza, vigor e utilidade que o abonem para isso.

Eucalyptus microcorys.—Não devemos contar com elle. A madeira é excellente; mas pressente a geada, quando nós ainda mal a enxergamos. Macclatchie acha-o «proprio para as regiões humidas semitropicaes.» E assim deve ser, porque é um stringybark, ávido de humidade por conseguinte.

Apezar d'isto, tenho d'este Eucalypto alguns exemplares bem desenvolvidos n'uma encosta ao sul, abrigados entre pinheiros.

Eucalyptus microphylla.—O catalogo de Vilmorin, de cuja casa me veio a semente, indica o Eucalyptus microphylla, ou stricta, como uma variedade dos Iron-bark (casca de ferro) que chega a attingir 40 metros de altura, e dando boa madeira e um combustivel de primeira qualidade. Os exemplares provenientes d'essas sementes confirmaram a informação. Porém, a Eucalyptographia do Barão de Mueller acceitando a synonimia do Eucalyptus microphylla e do Eucalyptus stricta, quando este ultimo descreve, não condiz no resto com a noticia de Vilmorin. Pela minha parte, direi que os Eucalyptos que tenho sob a designação de microphylla são Iron-bark, por certo de excellente madeira, como todos os d'essa classe, com um desenvolvimento a par do Eucalyptus crebra, ao qual o juntaria para todos os effeitos. Desconfio que o Eucalyptus microphylla da minha collecção será o Eucalyptus paniculata.

Eucalyptus microtheca.—Nas minhas mãos negou toda a fama com que da Australia passou para a Europa. Invariavelmente ficou rachitico, embora lhe houvesse offerecido logar não de todo agreste. Segundo lia, supportava temperaturas minimas de perto de 8° centigrados abaixo de 0° e maximas de mais de 50°; encontrar-se-hia nas regiões mais áridas da Australia e já se desenvolvia admiravelmente na França e na Argelia. Nada d'isto encontrei. Dou-me por desenganado, de tal fórma que não reincidirei na tentativa.

Eucalyptus Mulleri.—Não me afoita, posto que d'elle possua exemplares bonitos. Ha duvidas quanto á excellencia da madeira; e não será especie tão firmemente caracterisada, que esteja isenta do risco de variar na reproducção. Muitos o poderão substituir com segurança e vantagem.

Eucalyptus obliqua.—É o Eucalyptus gigantea da classificação de J. Hooker, e foi a especie que primeiro se conheceu e sobre a qual l'Héritier fundou este genero. Frequente na Tasmania, isso basta para estabelecer probabilidades de adaptação ao nosso clima. Em regra, são as especies de Eucalyptos d'essa latitude aquellas em que mais seguramente podemos confiar.

Mueller descreveu o Eucalyptus obliqua como arvore muito aprumada, de crescimento rapido, chegando a uma altura de noventa metros, embora floresça muito nova, e encontrando-se em elevações medianas, «não alpestres.» Casca persistente, muito fibrosa, ardendo facilmente, macia e fragil. «É uma das mais importantes de todas as arvores da Australia pela sua grande abundancia e tambem pela facilidade com que a madeira se presta a diverso trabalho.» Serve para construcções, travessas de caminho de ferro e vedações, e para isso é muito usada, mas «apodrece depressa, quando enterrada.» A casca emprega-se em larga escala para cobertura de edificações ruraes primitivas, e convém tambem para o fabrico de papel, quer ordinario, de empacotamento, quer de impressão, e até de escrever.