Eucalyptus virgata.—Ou Eucalyptus Sieberiana, na classificação do Barão de Mueller, que d'elle diz muito bem. É o Iron-bark da Tasmania, frequente nas cumiadas graniticas da costa, nos valles arenosos e pedregosos do interior, assim como nos outeiros de lousinho, e indo até 1:200 metros de altitude. Boa madeira para serrar, dura depois de sêcca, leve e elastica, ardendo bem mesmo em verde, fraca para enterrar, muito superior á do Eucalyptus hoemastoma, do qual o Eucalyptus Sieberiana é parente muito proximo. De casca aspera e persistente, ramifica mais copiosamente do que qualquer outra especie de Eucalyptos da Tasmania.

Téem apenas tres annos os exemplares que possuo d'esta especie, provenientes de sementes enviadas para o Jardim Botanico da Universidade de Coimbra pelo professor Maiden, e, por isso, com todas as garantias de authenticidade. Mas estão promettedores, com mais de 2 metros de altura, viçosos, amplamente ramificados e já com fructos, segundo a precocidade sabida e caracteristica da especie. Tudo me anima aqui a novas sementeiras e a insistir na cultura.

Eucalyptus Wabtoniana.—De incerta qualidade de madeira e parente do Eucalyptus maculata, por extrema susceptibilidade ao frio excluido das nossas culturas, o Eucalyptus Wabtoniana não resistiu á geada, nem mesmo com certo abrigo. Entre nós será quasi uma planta de estufa.

BIBLIOGRAPHIA

As publicações sobre descripção e cultura dos Eucalyptos já não téem conta; o que sobre o assumpto nos offereceu a França, a Australia e a Italia, formaria uma bibliotheca. E, mesmo entre nós, haverá muito a colher e a aproveitar em innumeraveis e utilissimas noticias espalhadas pelas publicações agricolas periodicas, dando conta da experiencia da cultura de varias especies de Eucalyptos em terras portuguezas.

Creio, porém, que com os poucos volumes abaixo indicados se constituirá livraria sufficiente para quem se sentir tentado a proseguir no estudo de similhantes missionarios de abastança das nossas florestas, tão carecidas de renovação:

Em primeiro logar, as obras do Barão de Mueller. Sobretudo a Eucalyptographia, publicada em Melbourne, de 1874 a 1884, e o Diccionario das Plantas Uteis, edição da Gazeta das Aldeias, traduzido em portuguez, em 1905, pelo illustre professor da Universidade de Coimbra, o snr. dr. Julio A. Henriques.

Depois, as obras de Maiden, o eminente naturalista e director do Jardim Botanico de Sydney, particularmente The Useful Plants of Australia e A Critical Revision of the Genus Eucalyptus, ainda não concluida.

Em seguida e, finalmente: o livro de A. James Macclatchie Eucalypts cultivated in the United States, boletim n.º 35 da repartição de agricultura d'aquelle paiz, publicado em Washington em 1902 (livro excellente, talvez de todos o mais prático); Description et Emploi des Eucalyptus introduits en Europe, de C. Naudin (Antibes, 1891); Les Eucalyptus, de Felix Sahut (Delahaye & Lecrosnier, Pariz, 1888).

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