Saiu de casa proximo das tres horas. A meio da praça, lembrou-se de que tinha de passar em frente da botica e o pharmaceutico ia estranhar-lhe o traje. Hesitou; voltaria atraz e sairia pelo jardim. Poderia ser que elle o não visse... Foi para diante. De facto, o pharmaceutico dormia a sésta. Por esta vez, estava salvo da interrogações compromettedoras.
Á porta da casa da rua da Cruz, em que morava Emilia, bateu de mansinho duas pancadas com a bengala, que eccoaram seccamente na pequena escada despida e núa. Sentiu-se um abafado rumor de passos apressados e veiu abrir a porta uma rapariga descalça, os cabellos curtos, escondendo as mãos sob um avental de riscado.
A rapariga olhou Claudio com surpreza.
—O sr. Almeida está?
—O sr. Almeida está a descansar.
—E a sr.a D. Emilia?
—A sr.a D. Emilia acabou ha pouco de jantar.
—Leva-lhe este cartão e diz lhe que eu desejava fallar-lhe, sim?
E tirou da carteira de couro da Russia, com monograma de ouro, um cartão em que se lia: C. de Sousa Portugal. Mandara-os fazer em Paris, eram os que usava no estrangeiro e já por vezes o tinham feito passar por conde.
A creada voltou: