«O Snr. D. Miguel sahiu rico das saudades e bençãos d'um povo que o adorava; a Snr.ª D. Maria, se sahir, não leva poucas maldições e insultos, como póde testemunhar quem tiver ouvidos para ouvir o que por ahi se diz, e olhos para lêr os papeis que no paiz se publicam. Saudades é que realmente, não é só a nós, que não deixa nenhumas!

«O Snr. D. Miguel demittiu magistrados por não serem limpos de mãos; a Snr.ª D. Maria cobriu esses, e outros d'honras e dignidades.

«O Snr. D. Miguel protegia e promovia tudo quanto era portuguez; a Snr.ª D. Maria fazia o mesmo a tudo quanto era estrangeiro.

«O Snr. D. Miguel conquistou Portugal com{5} a sua pessoa ; a Snr.ª D. Maria com os estrangeiros de todos os paizes.

«O Snr. D. Miguel viveu com a maior economia, e foi fiel aos seus contractos; a Snr.ª D. Maria o contrario de tudo isto.

«O Snr. D. Miguel entregou intactas as joias da corôa; a Snr.ª D. Maria consentiu que não só se roubassem as de seu augusto Tio, se não ainda que se lhe apoderassem dos bahus da sua roupa branca, que a Snr.ª Vadre lhe conduzia, e que lhe usurpassem os seus bens proprios.

«O Snr. D. Miguel enviou o brigue de guerra Téjo, commandado pelo 1.º tenente Caminha, ao Rio de Janeiro, levar aos seus parentes brasileiros a herança de seus augustos parentes fallecidos; a Snr.ª D. Maria consentiu que seu augusto Tio fosse defraudado não só da herança de seus augustos paes, senão ainda de todo esbulhado da herança universal de sua augusta irman fallecida em Santarem.

«O Snr. D. Miguel sustentou sempre os criados da casa real, ainda os de opinião contraria; a snr.ª D. Maria pô-los todos na rua, substituindo muitos por estrangeiros, e deixou morrer á fome as criadas da Snr.ª D. Maria 1.ª escapando sómente as netas do famoso João Pinto Ribeiro, que tanto concorreu para elevar a casa de Bragança ao throno; porque os legitimistas tomaram a si o seu parco sustento.{6}

«O Snr. D. Miguel tratou sempre bem as familias dos presos politicos, como póde testemunhar entre outras a filha de Pedro de Mello Breyner; a Snr.ª D. Maria tratou muitas como a esposa do conde de Villa Real, D. Fernando, que regressou do paço moribunda.

«O Snr. D. Miguel não consentiu nunca que nos actos officiaes se insultassem os seus parentes brasileiros; a Snr.ª D. Maria tem consentido que nesses mesmos se insulte constantemente seu augusto Tio.