[281] Sá de Miranda cart. 2. est. 10.
[282] Mervelleux Memoir. instr. tom. 1. p. 193. e 216. Barlamont no Elixir do Univ. cap. 4. e 5.
[283] Gabr. Grisley Desengan. da Medicin. Duart. Nun. Descripç. de Port. Vigier Histor. das Plant.
[284] Marin. Sicul. de Reb. Hispan. lib. 1.
[285] Boter. Relaç. Univ. part. 1. liv. 1. pag. 14.
CAPITULO XI.
Dos Mineraes.
1 A tanta fertilidade, e mimo de especies sensitivas, e vegetaveis, como temos summariamente mostrado haver neste nosso Reino, quiz Deos tambem ajuntarlhe as estimaveis riquezas de preciosos mineraes. Os de ouro, e prata saõ muito antigos em toda a Hespanha, como refere a Escritura sagrada;[286] e taõ naturaes em o nosso Portugal, como affirma Plinio,[287] e o confirma Estrabo,[288] rendendo ao Senado de Roma cada anno dos direitos, que se tiravaõ das minas de Asturias, Portugal, e Galiza, trinta mil marcos de ouro: sendo este sem duvida o unico attractivo, e reclamo, que chamou de taõ longe os Frigios, Fenices, Tyrios, Carthaginezes, e Romanos a fazernos guerra, e tributarios à sua cubiça.
2 Mas deixando a lembrança das minas antigas, como as de que faz mençaõ Justino[289] que havia na Provincia do Minho, e as que houve na Freguezia de S. Mamede de Val-Longo do Concelho de Aguiar de Sousa, e no Lugar de Villa-Verde, termo de Mirandella,[290] e no termo de Grandola, e no sitio de Alfarella da Provincia de Tras os Montes, e no Lugar do Seixo naõ longe de Anciães,[291] e em outras muitas partes do Reino, esgotadas pela ambiçaõ dos Romanos.
3 He certo que no anno de 1290 concedeo ElRey D. Diniz privilegios aos que tiravaõ ouro na Adiça, junto à foz do Tejo entre Almada, e Cezimbra, que era a officina mais antiga, donde se tirava ouro neste Reino em grande copia. Os mesmos privilegios concederaõ os mais Reys até ElRey D. Manoel, em cujo tempo com o descubrimento das riquezas da Asia foraõ diminuindo as extracções das minas de Portugal, como tudo conta a Monarquia Lusitana.[292]
4 Tambem no anno de 1628 se descubrio no Lugar de Paramio, tres leguas da Cidade de Bragança, huma mina de prata taõ fina, que de oito arrobas de pissarra ficavaõ na fundiçaõ seis de prata; e havia tanta quantidade della, que promettia o Superintendente oito arrobas cada dia livres para ElRey.[293] Bem sabido he, e celebrado pelos antigos o purissimo ouro, que se tirava de entre as areas do Tejo,[294] e tambem naõ he para esquecer o Cetro, que ElRey D. Joaõ III. mandou fazer do ouro extrahido das mesmas areas, o qual Cetro affirma Duarte Nunes,[295] que muitas vezes vira nas mãos dos nossos Monarcas em occasiaõ de Cortes, e que ainda se conserva no Thesouro Regio.