28 Justo. Esta moeda era de ouro, que mandou fazer ElRey D. Joaõ II. e valia 600 reis. De huma parte tinha o escudo Real já com as quinas direitas sem a Cruz de Aviz, e o nome delRey na cercadura; e no reverso tinha a effigie delRey sentado em hum throno com a espada na maõ entre dous ramos de palma, e a letra em roda: Justus ut palma florebit.
29 Leal. Era moeda de prata, que mandou fazer ElRey D. Joaõ II. com valor de doze reis. Tinha de huma parte a letra Leal por baixo de huma Cruz; e da outra parte o escudo do Reino com o nome delRey na orla.
30 Livra. Foy moeda lavrada em varios reinados, e de varias castas, donde procede a alteraçaõ de seu valor. A Livra de ouro em tempo delRey D. Diniz valia oito vintens: o mesmo valor tinha já no reinado delRey D. Affonso III. No tempo delRey D. Joaõ I. valiaõ pouco mais de 82 reis. A Livra de prata era de dous generos: Antigas, e novas. Havia livras antigas, por cada huma das quaes se haviaõ de pagar setecentas das novas, e assim valia cada huma das antigas 36 reis: e havia tambem livras antigas, por cada huma das quaes se pagava quinhentas das novas, e entaõ valia cada huma 25 reis. A Livra de cobre era de tres sortes; porque havia livra de dez soldos, que valiaõ tres reis e meyo: livras de dez livras pequenas, e valiaõ meyo real: livras de tres livras e meya, que valiaõ real e meyo, e corriaõ até o anno de 1407.
31 Maravedim, ou Morabitino. Foy moeda, que introduziraõ no Reino os Mouros Almoravides, ou Morabitos, que significa Fieis, segundo o mostra Aldrete.[343] Havia maravedim de ouro, que mandou lavrar ElRey D. Sancho I. com o valor de 500 reis. Tinha de huma parte a effigie delRey a cavalo com a espada nua na maõ, e pela orladura: In nomine Patris, & Filii, & Spiritus Sancti. No reverso tinha o escudo Real, e o nome delRey em gyro. Os maravedís Mouriscos naõ tinhaõ mais que huns caracteres, ou attributos de Deos de huma parte, e da outra, o nome do Principe, que os mandara abrir. Houve tambem maravedís de prata, que corriaõ com o valor de 27 reis.
32 Mealha. Naõ era moeda, que tivesse cunho particular, mas era metade da moeda, que chamavaõ Dinheiro, e valia meyo ceitil.
33 Nomeada. Moeda de prata, que fez lavrar ElRey D. Joaõ I. e seu filho ElRey D. Duarte. Naõ se sabe o que valia. Tinha de huma banda a Cruz de S. Jorge com a letra: Dominus adjutor fortis; e da outra o escudo do Reino com o nome delRey na circumferencia.
34 Patacaõ. Era moeda de cobre com o valor de dez reis, que mandou fazer ElRey D. Joaõ III. Tinha de huma parte o escudo Real coroado com o nome delRey, e da outra parte a letra X, com a inscripçaõ: Rex Quintusdecimus. Havia tambem meyos patacões com a letra V, que valiaõ cinco reis. ElRey D. Sebastiaõ reduzio esta moeda ao valor de tres reis.
35 Peças. Moeda de ouro, que corria no tempo do Infante D. Pedro, Duque de Coimbra. ElRey D. Joaõ II. a mandou desfazer.
36 Pé-Terra. Moeda de ouro, que fez lavrar ElRey D. Fernando com o valor de 216 reis.
37 Pilarte. Foy moeda de prata, que lavrou ElRey D. Fernando com o valor de treze reis, e dous ceitis. O nome de Pilarte foy posto em attençaõ, ou memoria dos pagens dos soldados estrangeiros, que lhe levavaõ os capacetes, ou barbudas, a que o Francez chama Pilartes.