Roma, de quien fue throno el mundo intero,
Buscó tu auxilio en riesgo furibundo,
Y fuiste con tu armada, oh Real guerrero,
Arbitro de los arbitros del mundo.
...Lysiae reliquos nunc adspice Reges,
Ut collata videns illorum insignia gesta
Joannes gestis, quantum caput efferat omnes
Hic suber agnoseas.......
Padre Antonio dos Reys no Enthusiasmo Poetico prope finem.
[737] Magnum hoc tuum, non erga homines modo, sed erga tecta ipsa meritum, sistere ruinas, solitudinem pellere, ingentia opera, eodem quo extructa sunt animo, ab interitu vendicare. Plin. in Panegyr. Trajani.
CAPITULO VII.
Catalogo das Serenissimas Rainhas de Portugal.
O preclarissimo titulo de Rainha neste Reino he mais antigo que o dos Reys; porque foy costume daquelles primeiros Monarcas de Leaõ dar em vida titulo de Reys aos filhos, e de Rainhas às filhas para ficar assim nelles mais estabelecida, e segura a successaõ Real;[738] e ainda que alguns erradamente disseraõ, que o illustrissimo Conde D. Henrique assentara o senhorio de Portugal debaixo do titulo de Condado,[739] ninguem até agora duvidou que sua mulher a Senhora Dona Teresa, como filha, que era delRey D. Affonso de Castella, deixasse de se chamar sempre Rainha, e naõ Condessa; e do mesmo modo se chamaraõ Rainhas suas filhas, cujo estylo se praticou neste Reino até D. Sancho I.[740] do qual tempo até este nosso tomaraõ o nome de Infantes, o que naõ entendendo alguns Historiadores Flamengos, attribuiraõ a ambiçaõ chamarse Rainha, e naõ Condessa a Senhora Dona Teresa, filha delRey D. Affonso I. que casou com o Conde de Flandes Filippe de Alsacia.[741] Isto supposto, entremos a executar o promettido.
2 Dona Teresa, mulher do Conde D. Henrique, era filha delRey D. Affonso VI. de Leaõ, e herdeira de seus Estados, Senhora de notavel formosura. Casou com o illustrissimo Conde no anno de 1093, trazendo em dote todo o Reino de Portugal, que ella governou dezaseis annos depois da morte do Conde seu marido, como senhora proprietaria delle;[742] e porque se aproveitava dos conselhos de hum Cavalhero Galego, chamado D. Fernando Peres, Conde de Trastamara, quizeraõ muitos dizer[743] que a Rainha Dona Teresa contrahira segundo casamento com o tal Conde; porém he certo que tal naõ houve, como efficazmente prova o erudito Padre D. Joseph Barbosa.[744] Fundou a Igreja de S. Pedro de Rates na Cidade de Braga: fez varias doações às Sés de Braga, Porto, e Coimbra: admittio em Portugal os Cavalleiros Templarios; e finalmente morreo em o primeiro de Novembro de 1130. Jaz na Capella mór da Sé de Braga.
3 Dona Mafalda, filha de Amadeo III. Conde de Saboya, e Moriana, casou com D. Affonso Henriques, primeiro Rey de Portugal, no anno de 1146. Fundou, e dotou hum Hospital na Villa de Canavezes para nove passageiros, e peregrinos terem nelle agazalho com todo o commodo possivel: unio-lhe as rendas da ponte, que mandou fabricar grandiosamente. Edificou a Igreja de Santa Maria de Sobre-Tamaga, e o Morteiro da Costa de Guimarães, que deu aos Conegos Regulares de Santo Agostinho, e hoje possuem os Religiosos de S. Jeronymo. Faleceo a 4 de Novembro de 1157, e está sepultada no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra junto de seu marido.[745]
4 Dona Dulce foy filha de D. Ramon Berenguer, Conde de Barcelona, e Principe de Aragaõ. Casou com ElRey D. Sancho I. no anno de 1175, confirmou com ElRey seu marido algumas doações pias, e morreu em Coimbra no primeiro de Setembro de 1198. Está sepultada no Mosteiro de Santa Cruz da mesma Cidade.[746]