109 Danços. Tem sua origem junto da Igreja de Nossa Senhora da Estrella por cima da Redinha, Bispado de Coimbra. Mistura-se com o Mondego.
110 Davino. Tem seu nascimento na serra, que fica para a parte do Sul da Villa de Grandola, e corre do Poente para o Nascente; e junto da Villa, atravessa huma formosa varzea de vinhas, e muitas arvores de fruta, que fazem deliciosa vista, dando por aqui passagem sobre ponte de pedra para o Algarve, e Campo de Ourique.
111 Degebe, ou Odigebe. Nasce este rio na herdade do Passo, Freguezia de S. Bento do Mato do Alentejo. Atravessaõ-no tres pontes em outros tantos braços no caminho de Estremoz. Tem outra ponte por onde passaõ os que vaõ de Monte de trigo, termo de Portel, para a Villa do Redondo. No Veraõ corre pouco, e conserva a agua só em alguns pégos, ou poços, por cuja causa os Mouros lhe deraõ o nome que tem, que na sua lingua significa fosso, ou cisterna.[229]
112 Deste. Nasce acima de Braga huma legua pouco mais, ou menos para a parte do Nascente: rega os arrebaldes de Braga: tem huma ponte de pouca fabrica, e logo adiante se ajunta com o Ave. Antigamente se chamava Aleste.
113 Diabroria. He huma lagoa, que ha no termo da Villa de Grandola por baixo do olho de agua chamado Borbolegaõ, de que já fallamos, a qual se fórma de huma corrente de agua, que se despenha de huma altissima rocha; e sem já mais ter diminuiçaõ em tempo algum, nem se lhe achar fundo, cria muitos safios, eirozes, e outras castas de peixes, que se pescaõ à cana. Chama-se esta lagoa Diabroria por causa de hum moinho que alli ha, o qual moe entre dia, e noite dous moyos e meyo de paõ.[230]
114 Douro. Conforme as melhores informações nasce este grande rio nas montanhas de Cantabria junto à Cidade de Soria, cujos povos antigamente eraõ chamados Duraços. Surte de huma portentosa lagoa, e descendo por alcantiladas penedias, discorre pelo Reino de Leaõ, onde se lhe agregaõ o Pisuerga, Carrion, e Tormes. Com este augmento chega a Çamora, e daqui se introduz em Portugal, passando primeiro por Miranda, e Freixo. Logo desce ao Porto, e recolhe os rios Coa, Tua, Pinheiro, Barroza, Tamega, Ferreira, Sousa, e outros, até ir lançarse no mar em S. Joaõ da Foz. He taõ grande a magestade deste rio, que quando nelle se introduzem as aguas dos outros, posto que opulentos, naõ fazem demonstraçaõ alguma na sua entrada.
115 Em Portugal he dos que naõ admittem ponte, porque sempre corre precipitado, e por isso nunca lha puderaõ fazer. Só nas Caldas abaixo de Lamego, onde chamaõ os Piares, estaõ sinaes de arcos de ponte, e por naõ se poderem proseguir, deixaraõ a empreza. Fertiliza muito as terras, por onde corre, com frutos de todo o genero muy excellentes. Pescaõ-se nelle grande numero de saveis, e lampreas, que na Primavera sahem do mar, e desovaõ pelo rio acima vinte leguas até S. Joaõ da Pesqueira, onde no meyo está hum fragoso cachaõ, que embaraça a passagem para diante. Em tempo de André de Resende intentou o Desembargador Martinho de Figueredo desimpedir este precipicio, e fazer navegavel o Douro mais para cima; porém encontrou taes contratempos, e resistencia na inveja dos homens, mais duros que o mesmo rochedo, que se deixou da empreza começada.
116 Tem fama de trazer areas de ouro, e de facto ha pessoas, que no lugar, onde o Tua entra no Douro, vaõ alli gandaiar, e naõ debalde, como affirma o grande Argote.[231] O Doutor Francisco da Fonseca Henriques, fallando deste rio, diz, que as suas aguas tem virtude deobstruente, porque passaõ por muita tamargueira, e assim saõ uteis para os opilados do baço. Tambem se affirma, que a vista das suas aguas causa melancolia, e dores de cabeça.
117 Elja, ou Elga. Corre direito ao Sul, e passa por entre Valverde, e Castello das Eljas. Divide por dez leguas Portugal de Castella, e se diffunde no Tejo entre Rosmaninhal, e Alcantara.
118 Enfesta. Pequeno ribeiro, que desagua no Minho.