O regente olhou para todos os musicos, demorou-se um instante e depois, descrevendo com a batuta um quarto de circumferencia, fez signal ás rabecas, que logo começaram tocando muito piano, em unisono.{121}
Era com certeza mademoiselle Eva d'Avenay quem ali attrahia a maior parte dos espectadores. Os conversadores pouco a pouco foram elevando o tom e, como as rabecas sósinhas continuavam tocando pianissimo, havia o que quer que fosse fantastico n'aquelle maestro de grande cabelleira cahindo-lhe até á golla da sobrecasaca, elevando alto, muito alto, a batuta, e deixando depois cahir o braço a tremer, a tremer, commandando uns arcos que se mexiam como puchados por um só homem, mordendo cordas que não tinham som.
Decididamente o corcunda suffocava.
De repente, a um signal energico do regente, os metaes vibraram enchendo a sala de notas alegres, vivas, que n'um instante, como por encanto, cortaram as palestras. Foi um relampago de alegria. O regente sorriu-se delicadamente e as rabecas continuaram sósinhas no meio da distracção geral.
Um gaiato gritou lá de cima:{122}
—Muito bem!
Tinham acabado felizmente.
A respiração do corcunda era um apitosinho.
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Instantes depois, corria-se uma cortina e encaminhava-se para o palco mademoiselle d'Avenay.